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Relacionamentos são desafios. Não perdemos quando um relacionamento acaba; perdemos quando simplesmente não tentamos. O medo de perder já é a perda.
Muitas vezes, porém, quando superamos esse medo e decidimos ir em frente, um dos enganos que cometemos é o de assumir relacionamentos para nos sentirmos seguros, confortáveis, ou poderosos, controladores, ou para provar aos outros qualquer coisa. Aí, de fato, superamos aquele medo: estamos pedindo para perder!
Viver, conviver, relacionar-se não é fácil... E daí? Viver sozinho, isolado, esquivo é ainda mais difícil. Dentro do bom senso, é melhor correr os riscos dos relacionamentos, que são exatamente isso: riscos, porque são feitos de buscas, ajustes, questionamentos, definição de limites, enfrentamento de dúvidas, incompatibilidades e rejeições. Não é fácil porque precisamos, antes, nos formarmos como gente, como pessoas; precisamos conhecer profundamente a nós mesmos e nos aceitarmos. Então teremos a segurança de que precisamos, teremos o controle, sim, de nós mesmos.
Essa educação também nos falta. Por isso, muitas vezes, os limites são desconsiderados, desaparecem; o medo de perder ou a sede de controle se avolumam e se transformam em algo inominável e, mais do que relações fracassadas, produzimos tragédias. Seria exagero mencionar crimes passionais ou mesmo os casos de recém-nascidos jogados no lixo por serem frutos de relacionamentos, no mínimo, equivocados?
Pois é: teimamos em decidir pelo “mais fácil” sem nos darmos conta de que tal atitude não nos trará o que buscamos, não evitará perdas.
Tenhamos, então, coragem e escolhamos o mais difícil. Enfrentemos esse desafio de conhecer o outro de novo a cada dia. Por que não? Que venham as perdas, que nos ensinam e fortalecem! Aprendamos e nos aprimoremos!
O medo? Esse vai conosco, que faz parte, só para dar um quê a mais na hora de correr para o abraço.


