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Parecia um dia como qualquer outro. E era. Mais um dia de violência. A notícia explodiu na tela da minha tevê: crianças e jovens assassinados brutalmente num dos últimos redutos onde ainda se pode buscar esperanças e ter coragem de fazer planos para o futuro. Não deu para olhar nem para ouvir por mais tempo – era insuportável.
Não foi pior do que outros massacres (e quantos!) ocorridos pelo mundo, até em proporções maiores, mas é que foi tão perto, tão embaixo dos nossos narizes... Por que não conseguimos evitar? Por que aquelas crianças tinham que morrer assim, tão estupidamente, sem a mínima chance de se defender? Inútil questionar – ingenuidade minha. O que se vê em toda a mídia é o grande interesse pelo assassino, por sua história e seu perfil e, principalmente, pela sua estratégia e habilidade infalíveis.
E a dor dilacerante daquelas doze mães de Realengo? Sem remédio, eu sei, mas quantas mais ainda terão que sofrer o mesmo golpe? Ah, o assassino era um doente, um louco – será? Não sei. Mas penso que a sociedade, esta sim, está doente. Ignoramos pessoas que se esquivam, que se escondem, que possuem hábitos suspeitos, que não amam ninguém nem se deixam ser amadas, assim como ignoramos as que jogam lixo nas ruas, picham muros, faltam com a ética, abandonam seus filhos, aliciam crianças e jovens...
Ignorar é uma maneira de aceitar, permitir, perpetuar. É o que temos feito. Estamos todos doentes.