CIVILIZADOS
máscaras africanas máscaras iorubá em madeira (Nigéria)
“São uns espíritos muito atrasados!”
Ouvi esta frase de alguém que se julga sábio, superior, evoluído. Falava a respeito de povos aborígenes africanos e seus costumes, povos que respeitam e cultivam a própria história e suas tradições, mantendo sua unidade e consciência tribal, sem gerar poluição, destruição, fome ou exclusão, sobrevivendo heroicamente às tentativas dessas gentes, ditas “evoluídas”, de os dominarem, de desestabilizarem suas crenças e devastarem sua história e sua cultura.
E por que espíritos? Que sabemos nós? Como podemos medir o nível espiritual de pessoas que não conhecemos, que possuem uma cultura tão estranha à nossa e que, por isso mesmo, não compreendemos.
E, afinal, o que é ser evoluído? Subjugar pessoas por julgá-las inferiores? Desvirtuar suas culturas apagando ciclos da própria história da humanidade? E tudo isso em nome de quê? De uma civilização que, em prol de uma pseudo evolução, “liberou geral”, inverteu valores e permitiu que seus jovens atingissem o atual estágio indescritível de evolução, com direito a drogas, promiscuidade e falta de perspectiva, tudo bem assegurado com estúpidas doses de hipocrisia?
A sociedade se mantém, sobrevive, boa parte dela até se alimenta disso tudo aí. Mas civilização deve ser outra coisa que já não sabemos mais.
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