fevereiro 07, 2011


 "O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas criaturas."

(Salmos 145:9)

 
  "Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante." 

Albert Schwweitzer (Nobel da Paz - 1952) 


Paixão por gatos

Eles nos olham nos olhos, farejam nossa presença, assuntam discretamente o que estamos fazendo, divertem-se e nos divertem, são ótimas companhias. Usuários de uma linguagem única, tornam-se irresistíveis quando se enroscam meigamente em nossas pernas, dizendo “Sou seu, você é meu”.


Aquilo é um gato!?

Era só uma bolinha de pelo preto desbotado bem no meio do asfalto, numa rua de duas mãos. E era bastante o movimento por causa do horário de saída da escola. Meu carro passou ao lado, outro automóvel passou rente, no sentido contrário. Foi tudo tão rápido: olhei pelo retrovisor – “Aquilo é um gato! Um gatinho! – vi que não vinha ninguém atrás de mim, dei sinal, estacionei, desci e corri pela pista para apanhá-lo. “Olha, a mulher vai pegar o gato!” – gritou alguém da calçada, e eu já estava de volta ao carro. Fechei a porta, pus o bichinho no tapete do carona e toquei para casa.
Era uma gata muito novinha, talvez não tivesse mais de dez dias de nascida. Cabia inteira na minha mão. Tinha pelos pretos muito ralos, grandes bigodes e sobrancelhas brancos, e brancas também as quatro patinhas e uma mancha do pescoço à barriga, ao modo de babador e avental. Sua cauda estava quebrada, mas inteira, e aparentemente não doía. Caminhava colada ao chão, devagarinho.
Ainda procurei quem quisesse adotá-la, tínhamos três cadelinhas, seria difícil que se acostumassem e aceitassem a gatinha. Opiniões se dividiram, mas minha irmã caçula se apegou a ela, meu pai cedeu e demos um jeito. As cadelas ficaram no quintal separado por dois portõezinhos e a gatinha ficou à vontade na casa e nos jardins – na prática, no meu quarto.
Fui toda cuidados e atenções. No fundo eu a queria, desejei muito que ela ficasse. Eu me emocionava quando olhava para aqueles olhos de um verde intenso e lembrava dela naquele asfalto, imobilizada no meio do trânsito. Eu estava passando por problemas emocionais profundos, doloridos, mas os deixava todos para trás quando me deitava e a colocava sobre meu peito, acariciava-a, e ela me olhava enternecida, abanava a minúscula cauda, suspirava e adormecia tranquila. Tão pequenina, tão frágil – e tão forte! Sim, eu a salvei, e ela me salvou.
Olha só que marota! Ela também tem lá suas saídas secretas.




Biscoito da sorte


              "Nada assenta melhor ao corpo que o crescimento do espírito."

PROVÉRBIO CHINÊS