janeiro 16, 2011

Açúcar e afeto

É. Gosto de biscoitos. Mais dos doces do que dos salgados. Era o lanche oficial das tardes da minha infância. Tardes de férias, de brincadeiras sem hora para acabar, sem planos para depois... Havia também pão, goiabada, frutas, outros doces, mas os biscoitos pareciam ter, além de aroma e sabor irresistíveis, um toque de magia, algo bom escondido que fazia um carinho na gente.


Cresci vendo minha avó e minha mãe preparar muitas dessas delícias, às vezes em grande quantidade: bolos, salgadinhos, beijinhos, cajuzinhos... Eram notáveis a paciência e o capricho com que preparavam cada receita, untavam cada tabuleiro, modelavam cada docinho e cada biscoito. Havia pressa, muitas coisinhas para fazer ao mesmo tempo, mas em seus rostos não se via preocupação ou insatisfação. Sorriam, preparavam, cuidavam da fornada, limpavam, arrumavam, serviam   sim, era dessa ternura que as guloseimas eram feitas.

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